Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta que o ex-ministro das Comunicações e ex-deputado federal pelo Rio Grande do Norte Fábio Faria teve participação nas tratativas que envolveram a contratação, pelo Banco Master, do escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O contrato previa pagamentos de R$ 3 milhões mensais.
O nome de Fábio Faria aparece 34 vezes no relatório, produzido pelo Núcleo de Análise da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF. O documento tem 218 páginas e 228 figuras, foi assinado em Brasília em 27 de agosto de 2026 e encaminhado ao ministro André Mendonça, relator da PET 15.556 no STF. O sigilo do material foi levantado em 1º de setembro.
Segundo a PF, as informações foram extraídas de um iPhone 17 Pro apreendido com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e posteriormente periciado pela área técnico-científica da corporação em São Paulo.
Entre os registros analisados, a PF identificou mensagens que indicam que Faria teria intermediado contatos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Em 26 de dezembro de 2023, às 11h43min45s, Faria enviou ao banqueiro quatro cartões de contato identificados como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. Os dois últimos continham o mesmo número.
Treze segundos depois, Vorcaro salvou os registros no celular. No relatório, a PF registra: “Uma hora após chegar ao local do segundo encontro, FABIO FARIA compartilha o contato”.
O documento também aponta que Faria teria conversado com Vorcaro sobre o prazo do contrato firmado com o escritório da mulher de Moraes e feito cobranças relacionadas ao pagamento. Em uma das mensagens, aparece a frase “o careca não pode atrasar”, em referência ao ministro do STF, segundo a interpretação apresentada no relatório.
Apesar das citações e das tratativas registradas no aparelho de Vorcaro, Fábio Faria não é alvo da investigação, não foi indiciado e não é apontado pela PF como autor de crime. O relatório não conclui que o ex-ministro tenha cometido qualquer delito.
Faria também nega ter tratado de valores relacionados ao contrato. As informações sobre sua atuação aparecem no contexto da reconstrução, pela Polícia Federal, das relações e negociações envolvendo Vorcaro, o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.


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